A primeira vez ninguém esquece
Pela primeira vez na minha vida, votei no PSDB. Mais: foi na Yeda!
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Afinal, assim fica ainda mais fácil criticá-la.
Agora há pouco, o Jornal do Almoço da RBS TV convidou o técnico da seleção brasileira de boxe tailandês e um psicólogo para falar sobre imagens de “crianças lutando boxe tailandês” que teriam sido exibidas no Fantástico do último domingo. O psicólogo, é claro, mandou contra o esporte “violento”, enquanto o técnico afirmou que a federação internacional do esporte proíbe que crianças lutem, o máximo que elas podem fazer é treinar. E além disso, lembrou que o boxe tailandês, assim como outras artes marciais, não é só luta, há também toda uma filosofia por trás. Que nem o judô – aliás, não são tão poucas crianças que fazem judô.
Falando sobre o vídeo – que a meu ver mostrava crianças treinando – o técnico disse que ele poderia muito bem ter sido editado, até porque os outros participantes do Jornal do Almoço falavam sobre terem visto no Fantástico “uma criança chorando” e tal não foi exibida hoje.
Isso me faz lembrar, mais uma vez, Pierre Bourdieu e seu livro “Sobre a televisão”. Bourdieu fez uma citação do cineasta Jean-Luc Godard e seu trabalho de análise de uma fotografia de Joseph Kraft:
E eu teria podido retomar por minha conta o programa proposto pelo cineasta: “Este trabalho consistia em começar a se interrogar politicamente [eu diria sociologicamente] sobre as imagens e os sons, e sobre suas relações. Era não dizer mais: ‘É uma imagem justa’, mas: ‘É justo uma imagem’; não dizer mais: ‘É um oficial do exército dos federais sobre um cavalo’, mas: ‘É uma imagem de um cavalo e de um oficial’.”¹
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¹ BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 12.
O Diego escreveu um trabalho muito interessante na cadeira Métodos Quantitativos II de seu mestrado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Ele estudou a indigência no Brasil de 1976 a 2005.
Segundo o IPEA, indigente é o indivíduo que se encontra abaixo da linha de extrema pobreza, ou seja, renda inferior à condição de satisfazer as mínimas necessidades nutricionais. Uma das constatações mais interessantes do trabalho dele é que o índice de indigência depende muito mais da distribuição de renda do que do crescimento econômico. O que corrobora a idéia de que a pobreza é relativa: no Brasil existem muitos pobres porque a riqueza é muito concentrada.
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