O chamado “veranico de maio” não é fenômeno recente no clima gaúcho. O famoso viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, que passou pelo Rio Grande do Sul nos anos de 1820 e 1821 fez anotações a respeito de costumes, vegetação, relevo e clima da então capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.
Chamou bastante a atenção do cronista a pouca proteção dos habitantes do Rio Grande contra o frio – o que seria “herança portuguesa”, visto que segundo Saint-Hilaire as estufas eram artigos de luxo em Lisboa – e também o chamado “veranico de maio” de 1821, que se seguiu a um abril extremamente chuvoso.
O trecho abaixo corresponde às notas de Saint-Hilaire do dia 4 de maio de 1821, quando ele se encontrava na então Vila de Rio Pardo:
Faço diariamente excursões, mas não encontro quase nenhuma flor; muitas árvores das matas já perderam suas folhas; as que ainda conservam são as de folhas duras, de um verde escuro e brilhante, tais como as mirtáceas. Desde que estou aqui, o tempo se mantém magnífico e asseguram-me que todos os anos, por esta época, há alguns dias de bom tempo. É o que se chama verãozinho de maio, veranico de maio.
Fonte: SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem ao Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 2002, p. 363.
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18 Maio 2008 às 23:17 |
Ei Rodrigo, quando vi a reportagem no Jornal Hoje essa semana, logo pensei na saúde desse povo. Não tem corpo que agüente uma variação de 20º num mesmo dia… Vamos pra Sibéria… pelo menos lá é apenas frio…rs.