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Foi um jogo tão bom, que chegou a ser pornográfico

Terça-feira, 18 de Março de 2008 Rodrigo Cardia Deixe um comentário Ir para os comentários

Brasil e Holanda eram os times mais ofensivos da Copa do Mundo de 1998. Até o confronto, tinham disputados cinco partidas no torneio. O Brasil tinha marcado 13 gols (média de 2,6 por jogo) e a Holanda 11 (2,2 por jogo). O Brasil tinha Rivaldo e Ronaldo, a Holanda tinha Bergkamp e Kluivert. Tudo indicava que a semifinal seria um grande jogo, o que se confirmou.

Assisti à semifinal em casa, junto com meu irmão Vinicius e nosso amigo Diego. Chovia uma barbaridade naquela tarde aqui em Porto Alegre.

Os dois times se lançaram ao ataque já no primeiro tempo. As melhores chances de gol foram da Holanda, Kluivert levava muito perigo nas bolas aéreas devido à sua altura e à qualidade de seu cabeceio. O Brasil também criou boas chances, com Ronaldo e Bebeto. Mas no intervalo o placar mantinha-se em 0 a 0.

Enquanto o jogo não recomeçava, Diego, Vinicius e eu, adolescentes espinhentos naquela época (o Diego e o Vini tinham 13 anos, e eu 16), folheamos uma revista de mulher pelada. Observávamos as curvas de uma famosa modelo despida.

O Vini disse “essa mulher tem jeito de puta”. Foi quando percebemos que o segundo tempo havia começado: Rivaldo deu um passe milimétrico para Ronaldo, na cara do gol. O goleador brasileiro tocou na saída do goleiro holandês Van der Sar: Brasil 1 a 0!

Esquecemos a mulher pelada, a revista, e comemoramos o gol. O tento saiu nos primeiros segundos do segundo tempo, assim o Brasil tinha 45 minutos para manter ou ampliar a vitória e se classificar à final.

Houveram chances do Brasil consolidar a vaga. Mas quem levou mais perigo foi a Holanda, com Kluivert. Em um dos lances, Taffarel fez uma defesa milagrosa, impedindo o empate. Porém, a poucos minutos do apito final, ninguém marcou Ronald de Boer (Roberto Carlos, para variar, não estava onde deveria estar), que livre cruzou para Kluivert empatar a partida. Depois de estar a cinco minutos da final, o Brasil precisaria enfrentar a prorrogação.

À espera dos 30 minutos de tempo extra, Diego, Vini e eu decidimos voltar a olhar a revista. E lembramos que no momento em que chamamos a modelo de “puta”, o Brasil fez seu gol. Assim, a cada ataque do Brasil na prorrogação nós gritávamos “PUTA! PUTA! PUTA!”, para que a Seleção marcasse novamente. Mas nada do “gol de ouro”. Nem do Brasil, nem da Holanda, que esteve muito perto da final quando Kluivert (sempre ele) chutou uma bola que tirou tinta da trave.

Após os 30 minutos, sem “gol de ouro”, fim de jogo. Apesar de não ter dado certo na prorrogação, decidimos manter o esquema da “puta” para os pênaltis.

Ronaldo ajeitou a bola na marca do pênalti (aqui em casa gritamos “PUTA! PUTA! PUTA!”), bateu e marcou. Mas depois Frank de Boer fez o seu. Rivaldo (“PUTA! PUTA! PUTA!”) fez, mas Bergkamp também.

Emerson, que estreava em Copas do Mundo naquela semifinal, foi escalado para bater o terceiro pênalti. Bateu um certo medo, afinal, ele poderia estar nervoso para um momento tão importante. Mas não: sob nossos gritos de “PUTA! PUTA! PUTA!”, ele fez 3 a 2 para o Brasil. Então foi a vez de Cocu bater para a Holanda. Cobrou… TAFFAREEEL!

Dunga ajeitou a bola para cobrar o quarto pênalti. Gritamos mais “putas” do que nunca, e o capitão brasileiro deixou o Brasil muito perto da final: 4 a 2. A próxima cobrança seria de Ronald de Boer, que cruzara aquela bola para Kluivert empatar o jogo. Mas o holandês não seria herói: Taffarel defendeu novamente, e colocou o Brasil na final!

Haviam confirmado-se as previsões de que Brasil x Holanda seria um jogaço.

E, definitivamente, aquela mulher tinha jeito de puta!

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Cinco dias depois, o Diego não assistiu o jogo junto conosco. Além disso, vimos a final na casa da minha vó, sem revistas de mulher pelada por perto. Resultado: França 3 x 0 Brasil.

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