Terrorismo midiático
Incrível: bastou aparecerem alguns casos de febre amarela, que se instalou um clima de preocupação entre a população, que corre aos postos de saúde para se vacinar sem necessidade. São casos isolados, mas já falam em epidemia.
Como disse o Luiz Carlos Azenha, “causar medo na população dá ibope”. Aqui no Rio Grande do Sul todos lembram do que aconteceu durante o governo Olívio Dutra: a mídia – com destaque para a RBS – criou um clima de pânico nos gaúchos, por causa da “onda de violência”. Quem ganhou a eleição para governador do Estado em 2002 não foi Germano Rigotto, e sim a RBS. O PT deixou o governo, mas a criminalidade piorou muito. E não há “onda de violência” na capa dos jornais.
O medo, além de dar ibope e ajudar a ganhar uma eleição, faz com que a população aceite qualquer coisa que supostamente venha a acabar com a causa de seu temor. Isto se aplica também ao caso da eleição de 2002, quando “votar contra o PT” era aparentemente acabar com a “onda de violência” – e mesmo assim Tarso Genro obteve 47,4% dos votos válidos no 2º turno.
Daí o fato de que alguns crimes mais violentos sejam superexplorados midiaticamente: foi assim com o caso do menino carioca João Hélio, que fez um monte de gente bradar por pena de morte e redução da idade penal, graças ao clima de comoção gerado por tanta falação sobre o caso na televisão. Naquela época, eu sentia vontade de quebrar a TV, de tanto que enchiam o saco – eu não assistia muito (e continuo a não assistir), mas tinha de agüentar a minha mãe, que assistia o Jornal Nacional e repetia o discursinho dos pró-pena de morte.
É exatamente disso que trata o vídeo abaixo (que é sobre o novo livro de Naomi Klein), colocado no YouTube pelo Luiz Carlos Azenha. Uma população permanentemente amedrontada tende a ser mais “obediente” e a aceitar quaisquer medidas, por mais autoritárias que sejam, que supostamente possam solucionar os problemas, mas que acabam por prejudicar a vida da maioria. Vale lembrar que foi com a criação de um clima de medo que se conseguiu o apoio da classe média brasileira para o golpe de 1964 – o “demônio” daquela oportunidade foi o comunismo.



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