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Archive for Outubro, 2007

2014

Desde que Joseph Blatter assumiu a presidência da Federação Internacional de Futebol AMADOR, em 1998, o nível do esporte vem decaindo de forma signficativa. O que se tem visto desde lá é uma tentativa de transformar o “mundo da bola” em um “negócio da bola”, cada vez mais empresarial, político e lucrativo e menos empolgante. Os fair plays propostos pelo suíço estão levando o glorioso esporte bretão a se tornar algo interte, corriqueiro.. enfim, em entretenimento.

No entanto, de todas as decisões ruins que Blatter e seus companheiros de jogos de xadrez às tardes tomaram, escolher o Brasil como sede de uma Copa do Mundo foi a pior. Tanto que a CBF já começou com um erro grosseiro: o que Paulo Coelho estava fazendo na Suiça, e por que Pelé, o maior jogador de todos os tempos, não viajou com a delegação?

Para ler mais, vá ao Cataclisma 14 e confira na íntegra o texto do André.

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Copa 2014 custará bem caro

Li na Zero Hora de hoje que a Copa do Mundo de 2014 pode custar 18 bilhões de dólares (de acordo com a revista Máquina do Esporte), e que 75% deste valor seria bancado pela esfera pública – e a FIFA embolsará quase 100% das rendas.

Vale a pena ver alguns dos pontos do Caderno de Encargos da FIFA que a Zero Hora publicou (os grifos são meus):

- FIFA fica com rendas de direitos de TV, patrocínios, ingressos e exploração de hotéis e estádios;

– O estádio e dois quilômetros em seu entorno serão explorados comercialmente pela FIFA;

– Comitê organizador terá de bancar Congresso da FIFA, sorteios, Copa das Confederações de 2013, escritórios, centro de mídia, hospedagens de funcionários e passagens aéreas dentro do país;

- Haverá isenção fiscal para a FIFA e seus parceiros comerciais, além de imunidade contra ações judiciais, com custos arcados pelos organizadores;

- Seguro de cerca de R$ 500 milhões;

- Leis proibindo marketing indireto em relação às competições e o uso não-autorizado de marcas da FIFA (se cuida, Inter!).

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Dinheiro público tem de favorecer ao conjunto da população, e não à FIFA. Ainda mais num país com tantas carências como o nosso.

Por mais melhorias que a realização da Copa possa proporcionar no sistema de transportes e na segurança – que obrigatoriamente teriam de melhorar, para o país poder sediar o Mundial -, ainda prefiro que sejam gastos 13,5 bilhões de dólares (75% de 18 bilhões) em educação. Numa cartada só melhora-se segurança, saúde e vários outros graves problemas do Brasil, que poderia sediar uma Copa do Mundo fantástica mais para a frente.

Mas para isso, certamente os governantes diriam que não têm dinheiro…

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Surrealismo

Definitivamente, falar em “Gre-Nau” quando Grêmio e Náutico se defrontam, não é deboche alusivo à temporada do Grêmio na Série B em 2005. Tem coisas que só acontecem num jogo desses, que merece uma expressão que o designe.

Em 26 de novembro de 2005 (Batalha dos Aflitos), tivemos tudo aquilo que já está marcado na História do Futebol. Time com quatro a menos e um pênalti contra, que consegue vencer um jogo que parecia perdido. Eis o Imortal Tricolor em ação!

E eis que na tarde deste domingo, tivemos mais coisas malucas.

O Grêmio saiu atrás, não jogava bem, Tuta decidiu cruzar e… Gol!

Tuta, de novo, rolou a bola para Marcel, cara a cara com o goleiro, pensei: “esse gol ele vai fazer”… Não fez: tropeçou na bola!

Depois, num bate e rebate, quando vi o Marcel ir em direção à bola para cabeceá-la, já previ que ela sairia… Gol! Do Marcel!

Quando tudo parecia voltar à normalidade, logo depois de um gol sem maluquices de Diego Souza, o Náutico descontou com o uruguaio Acosta, um gol que eu não vi – ainda comemorava o do Diego – e que nenhuma câmera de televisão pode dizer se foi ou não irregular.

Durante todo o primeiro tempo, o tempo estava nublado, dava a impressão de que ia cair muita chuva. No início do segundo tempo, a chuva caiu… E o sol voltou! A esta altura, o Náutico acabara de empatar o jogo, 3 a 3.

Por volta da metade do segundo tempo, quando eu pensava no péssimo negócio que era empatar em casa e depender de pontos fora de casa além dos três que considero quase garantidos (do jogo contra o América-RN, na penúltima rodada), o Grêmio chegou ao 4 a 3. Um gol de centroavante: de cabeça, tirou a bola do goleiro e colocou para as redes. Gol de… Marcel! Dois no mesmo jogo! INACREDITÁVEL!

Dois Grêmios

Ótima charge do Kayser:

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Las Cucarachas

Li na seção “Cartas” da Zero Hora de hoje a reclamação do leitor Julio Felippe: em um ônibus da linha 436 (Jardim Ipê), baratas circulavam pelas poltronas. Isto mesmo: baratas.

Eduardo Beuren, gerente do consórcio Unibus (responsável pela linha 436), afirmou que nem sempre é possível manter os ônibus em boas condições de limpeza.

Isto me parece mais falta de fiscalização por parte da EPTC, do que impossibilidade de fazer limpeza… Mas nada disso me parece estranho, com o desgoverno vivido por nossa Porto Alegre.

Estatísticas do “Cão no Olímpico”

Fui ao Olímpico ver o Tricolor pela primeira vez muito tarde: só em 16 de setembro de 1995, quando o Grêmio perdeu por 3 a 2 para o Botafogo, no Campeonato Brasileiro que viria a ser conquistado pelo time carioca. Naquela ocasião, eu tinha 13 anos, e estava a 29 dias de completar 14.

O mau começo parecia indicar que eu seria um “pé-frio”. Mas não. O Grêmio venceu a maioria absoluta dos jogos em que estive presente ao Olímpico. Foram 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas, em 147 partidas. Foram marcados 401 gols: 263 do Grêmio, e 138 dos adversários.

As 147 partidas foram contra 60 times diferentes. Os mais enfrentados são os rivais regionais, Inter e Juventude (8 jogos contra cada um). O primeiro Gre-Nal foi em 20 de junho de 1999, aquele do Ronaldinho. De fora do Rio Grande, os mais enfrentados são Corinthians e São Paulo (6 jogos contra cada um).

Curiosamente, dentre os 27 clubes que “enfrentei” apenas uma vez, está ninguém menos que o Cruzeiro: derrota de 3 a 2, no dia 17 de outubro de 1999.

Os anos em que menos fui a jogos foram 1995 e 2004: apenas quatro partidas em cada um. Em 1995, fui ao primeiro jogo só em setembro (que foi o primeiro de todos). Já em 2004 aconteceu uma soma de fatores: estresse elevadíssimo por estar no primeiro ano da faculdade e por isso desacostumado com a grande quantidade de leituras + segundo ano seguido em que o Grêmio se limitava a lutar para não cair (o que me desanimou). Em 2003, quando o Grêmio também só lutou para não ser rebaixado, fui a 17 jogos (mesmo número de 2001). O recorde positivo de presenças ao Monumental se deu em 2000: 19.

Os únicos anos em que não presenciei derrota do Grêmio foram 1997 (quando fui a 6 jogos) e 2005 (10 jogos). A maior “invencibilidade” foi de 21 partidas, e o maior “jejum”, de 4 jogos.

A maior vitória foi de 6 a 0 sobre o Inter de Santa Maria (tinha que ser um Inter!) em 18 de abril de 1998, pelo Campeonato Gaúcho. A pior derrota foi 5 a 1 para o Atlético-PR em 20 de abril de 2002, jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Minas.

Em 2007, fui a 13 jogos até agora, dos quais o Grêmio venceu 9, empatou 2 e perdeu 2. Foram anotados 34 gols: 25 do Grêmio e 9 dos adversários. Considerando que restam mais 3 jogos no Olímpico este ano, provavelmente terminarei 2007 com 16 partidas. Será o quarto ano com mais presenças, atrás apenas de 2000 (19 jogos), 2001 (17) e 2003 (17).

Atrasado, mas engraçado

Em agosto, publiquei aqui um vídeo com uma entrevista de integrantes do movimento “Cansei” na Bélgica – obviamente, era um deboche.

Agora, achei outro vídeo da entrevista com os “cansados” na Bélgica e publico de novo porque não deixou de ser divertido tirar sarro da cara deles, mesmo depois do retumbante ato cívico que reuniu em frente à Catedral da Sé, em São Paulo, a grande multidão de… Duas mil pessoas!

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Por que admiro Olívio Dutra

Na última sexta-feira, David Coimbra publicou uma coluna em Zero Hora cujo título era “O sorriso de Olívio”. O colunista lembra de quando foi “escalado” para fazer uma reportagem sobre a vida de Olívio Dutra, quando este era prefeito de Porto Alegre. Mesmo no mais importante cargo da cidade, Olívio seguia sua vida quase como antes: morava na Avenida Assis Brasil e ia de ônibus para a Prefeitura.

David Coimbra e um fotógrafo acompanharam Olívio em sua ida de ônibus para o Paço Municipal. O fotógrafo, claro, desejava uma foto do prefeito sorridente, mas quando David pediu a Olívio que sorrisse para a foto, ouviu dele a resposta: “Mas não estou com vontade de sorrir…” – e não houve sorriso. Para David, isto tornou-se um símbolo da maior qualidade não só do Olívio, como do PT: a autenticidade. Tratava-se de um político – e de um partido – que não fazia qualquer coisa para agradar, pelo poder.

Daí se entende o grande baque que significou para os petistas mais apaixonados – como eu era – tudo que aconteceu a partir de 2002. Lula foi eleito com apoio do conservador PL (hoje PR). Fiquei indignado com a aliança, cogitei de votar no PSTU no primeiro turno de 2002, como forma de protesto. Mas não resisti à vontade de votar em Lula, que simbolizava os sonhos de mudança para o Brasil. E votei nele nos dois turnos.

Muitos diziam que a aliança com o PL era só para ganhar a eleição, que no governo o “Lulinha paz e amor” voltaria a ser aquele Lula de 1989. Mas quem assumiu o governo foi o “paz e amor”, 1989 ficou para a História mesmo.

O governo que era para ser do povo, passou a integrar os velhos donos do poder, como Sarney. O PMDB, que apoiara FHC, também apoiava Lula. Tudo pelo poder. O PMDB era fisiológico, assim como o PT. A autenticidade de Olívio fora trocada pelo sorriso para sair bem na foto.

Veio 2005 e o mensalão. Era demais. Já agüentara os cargos para o PMDB, os esforços para abafar CPIs – na oposição o PT sempre as defendia -, a liberação dos transgênicos… Mas corrupção não dava para agüentar, e me desfiliei do PT.

Fui com meu amigo Diego à sede municipal, no dia 8 de novembro de 2005. Um local vazio, com cara de abandonado, enquanto a sede nacional, em São Paulo, era um luxo só. Foi constrangedor o momento em que pedimos a ficha de desfiliação a uma funcionária-militante, que nem tentou nos convencer a permanecer no partido: provavelmente ela não saía porque trabalhava lá e precisava do dinheiro para se sustentar.

Não cogitei – nem cogito – me filiar a outro partido. O PSOL corre o risco de ser igual ao PT. Até já “sorriu para a foto”: mês passado, a Luciana Genro perdeu uma excelente oportunidade de ficar calada, quando decidiu subir à tribuna na Câmara dos Deputados para elogiar a RBS. Não precisava ter feito isso, assim como nenhum dos deputados que falaram – inclusive Beto Albuquerque, em quem votei ano passado e não votarei em 2008. Não precisavam atacar a empresa – seria suicídio político -, apenas podiam ficar quietos, e deixarem os de sempre babarem ovo.

Apesar do Olívio, não me considero mais petista. Ainda tem muita gente boa lá, que assim como o Olívio, não está preocupada em agradar os outros em troca de poder. O problema, é que a cúpula do partido pensa diferente… E assim, o PT autêntico, que elegeu Olívio prefeito em 1988 e governador em 1998, deixou de existir.

Um jogo “histórico”

Eu mantenho atualizada uma lista de todos os jogos do Grêmio que fui. Além disso, também tenho as estatísticas, de quantos jogos por ano, quantas vitórias, quantos gols o Grêmio fez etc.

Porém, tinha esquecido de atualizar as tabelas após Grêmio x Goiás, jogo que aconteceu no sábado passado, 13 de outubro. Só agora que lembrei e percebi o quão importante foi aquela partida – pelo menos para mim.

Primeiro fato “histórico”: foi a primeira vez que fui a uma vitória do Grêmio sobre o Goiás, esta touca desgraçada! Ano passado o Grêmio ganhou no Olímpico, mas o jogo era numa quinta-feira de noite e eu tinha aula, assim não pude ir.

Segundo fato “histórico”: a testada de Pereira que empatou o jogo foi simplesmente o 400º gol dos jogos do Grêmio em que estive presente. No total, foram marcados 401 gols nas partidas que assisti no Olímpico: 263 do Grêmio, e 138 dos adversários.

Em 147 jogos que eu fui, o Grêmio venceu 84, empatou 36 e perdeu 27.

O primeiro foi em 16 de setembro de 1995, derrota de 3 a 2 para o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro. Dos cinco gols daquele jogo, três foram de artilheiraços: Túlio fez dois para o alvinegro carioca, e Jardel descontou para o Grêmio.

A polêmica no Grêmio

Acompanhei pelos blogs Apito do Blackão e Alma da Geral toda a discussão sobre o caso Carlos Josias x Paulo Odone. Para quem não soube: Josias renunciou à vice-presidência do Conselho de Administração do Grêmio, após discussão com o presidente Paulo Odone, devido ao fato de ter levado “seguranças” ao jogo Grêmio x Goiás, dia 13. Na verdade, Josias havia levado quatro amigos negros, que Odone afirmou serem seguranças por causa da cor da pele.

Josias enviou uma carta-renúncia ao presidente na segunda-feira, explicando os motivos. Na verdade, os dois dirigentes já estavam afastados desde a campanha eleitoral para o Conselho Deliberativo, quando Josias foi reeleito pela Chapa 3, e não pela 1, de Odone.

De qualquer jeito, fica manchada a imagem do Grêmio com isso. O Tricolor há muito tempo luta para se livrar da pecha de clube racista – que tem certa justificativa pela discriminação que vigorou até 1953 – mesmo que hoje em dia muitos negros torçam pelo Grêmio.

E aí vem Odone com esta vergonhosa atitude. E não é a primeira vez que ele apronta. Em julho, tentou empurrar goela abaixo dos gremistas o nome de Antonio Britto para a presidência, numa clara tentativa de “tirar do limbo” o ex-(des)governador do Rio Grande do Sul. A grande reação indignada da torcida impediu o golpe.

E queriam que eu votasse na chapa dele para o Conselho Deliberativo! Sempre vinham com o mesmo argumento: “foi o Odone que nos tirou da segunda divisão”. Não fez nada mais do que a obrigação!

Pelo menos eu posso dizer com a consciência tranqüila: não votei na chapa do Odone, assim como não votei nele para deputado estadual, ano passado. E não pretendo votar nunca! Por seu racismo e seu golpismo, Paulo Odone não merece meu voto!