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Archive for Setembro, 2007

Simbolismos 2

Eis uma mostra do “poder simbólico”: os padrões de beleza que a televisão – poder simbólico por excelência, já que não é percebido como arbitrário – impõe. Vale a pena ler.

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Uma outra maneira de dar o peito

Artigo escrito por Contardo Calligaris,
publicado na página E8 da Folha Ilustrada do dia 01/02/2001

Jenna Franklin é inglesa e terá 16 anos no dia 23 de agosto deste ano. Para seu aniversário, seus pais lhe oferecerão implante de silicone nos seios. A praxe é esperar até mais tarde (depois dos vinte anos) para a intervenção modifique um corpo que já tenha parado de crescer. Mas duvido que a moça não encontre um cirurgião disposto a operá-la logo. Tanto mais que os pais generosos são conselheiros profissionais em cirurgia plástica. E a mãe é uma veterana que fez seios, nariz, bochecha e duas lipos.

Essa notícia fez recentemente a primeira página dos tablóides ingleses. Prevaleceram as expressões indignadas contra o nosso mundo que cultua as aparências: onde iremos parar se os pais autorizam ou, pior, transmitem diretamente o dever de agradar aos outros? Que desastre moral se prepara? E por aí vai.

A história e a polêmica se tornaram um despacho da Associated Press do começo de janeiro – que é minha fonte.

Jenna e sua mãe, Kay Franklin, foram entrevistadas. Jenna disse que desejava seios maiores desde os 12 anos e, questionada por que, acrescentou: “Preciso ter seios para ser bem-sucedida”. E ainda: “Uma pessoa em cada duas na televisão teve implantes. Se eu quiser ser bem-sucedida, devo tê-los também e eu quero ser bem-sucedida, embora no momento não saiba bem no quê”. E enfim: ” Só quero ser feliz com meu corpo”.

Kay, a mãe, declarou: “Há tantas jovens que se deprimem ou se atrapalham por causa de sua aparência. Então, se der para fazer algo para evitar isso, ótimo”. Gosto dessa história pelas reações que produz. Faça a experiência: conte para alguém. Na maioria dos casos será despropositadamente indignada. Como pode essa mãe desnaturada induzir na filha uma tal religião das aparências?

Antes de jogar mais uma pedra, pense um pouco: será que o presente da mãe é essencialmente diferente do gesto das numerosas mães que oferecem academias, spas e regimes a suas filhas? Ou mesmo aparelhos ortodônticos que parecem cabrestos?

Na verdade, a mãe de Jenna não é diferente de nós. Ela é a banalidade da maneira moderna de amar os rebentos: queremos que eles seduzam bem além do que nós conseguimos. Não imaginamos uma forma de felicidade, uma gestão do prazer ou uma forma de sucesso que não passe pela conquista da aprovação dos outros. E como não querer a felicidade de filhos e filhas?

Quanto a Jenna, sua fala vale um livro ou dois sobre o tema do narcisismo. Ela nos explica que a relação com nós mesmos, nossa maneira de julgar a imagem que aparece no espelho passa sempre pelo olhar dos outros.

Jenna quer ser feliz com seu corpo. E acha que isso acontecerá quando ela fizer parte do grupo de implantadas que povoam a tela da televisão. Aparecer na televisão não é concretamente um ideal para Jenna (ela não quer ser apresentadora, nem modelo, nem atriz), mas é uma boa metáfora do sucesso narcisista, pois é provável que quem está na televisão seja olhado pelo olhar dos espectadores.

Ou seja, Jenna quer (e deve) ser gostada para se gostar. Esse sucesso narcisista é um fim em si: o campo no qual ela poderia ser bem- sucedida é indiferente. A fantasia de Jenna é o sucesso que os seios lhe darão: a profissão em que os mesmos seios poderiam promovê-la não alimenta seus sonhos.

A vida de Jenna, mesmo com seios novos, não será fácil. Como não é fácil, em geral, a vida de todas as nossas jovens – se suas mães se parecem com Kay. A dificuldade não está na tarefa se serem bonitas, mas na dificuldade de definir um cânone.

Se o cirurgião fizer um bom trabalho, mulheres e a própria mãe, todos poderão adular os seios perfeitos de Jenna. Mesmo assim, aposto que a moça não passará de achá-los insuficientes, exagerados, assimétricos, desproporcionados etc.

A dificuldade do narcisismo moderno não reside na tarefa de agradar, mas na perpétua insegurança. É inevitável: se a tarefa da vida for agradar aos outros que nos importam, nenhum olhar será definitivo, nenhum elogio e nenhum amor bastarão para decretar que o seio é perfeito. Pois o julgamento dos outros é uma suposição nunca resolvida. Podemos contar as pétalas da margarida (me ama, não me ama, me ama…) ou modificar o corpo (mais silicone, menos silicone…).

Na mitologia grega, um salteador chamado Procusto espreitava os viajantes. Queria forçar cada um deles a caber perfeitamente num leito. Esticava ou cortava fora os membros dos infelizes. Para o sujeito moderno, o problema não é evitar Procusto, mas encontrá-lo, para saber enfim o que precisa cortar e o que esticar. Encontro impossível: Procusto é apenas um mito.

P.S.: A procura de Procusto não é um problema só feminino, tipo: as mulheres sempre quiseram ser desejadas etc. Os homens e os rapazes das últimas décadas pensam como Jenna e sofrem da mesma incerteza. Na próxima coluna, comentarei pesquisas recentes sobre essa mudança na relação dos homens com seus corpos.

Eleições no Grêmio

Eu votaria na chapa 2 (Grêmio – Grêmio, acima de tudo!), mas na última hora decidi pela 3 (Grêmio Imortal e Unido). O mais importante era não votar na chapa 1, da direção que quer empurrar goela abaixo dos gremistas o projeto da Arena, sem discussão. As chapas 2 e 3 defendem que os sócios participem desta discussão.

Houve pressão para que meu voto fosse para a chapa 1, até mesmo dentro de casa! Minha mãe votou na 1, mas não conseguiu me convencer. E no Olímpico, o que eu mais via era cabo eleitoral da chapa 1.

Apenas as chapas 1 e 3 estarão representadas no Conselho Deliberativo, pois superaram a cláusula de barreira. A chapa 2 não alcançou o limite mínimo de 30% dos votos e não terá representação.

Eu imaginava que a chapa 1 seria a mais votada, mas foi uma surpresa que a 2, mesmo com o carisma e toda a trajetória de Hélio Dourado, tenha obtido tão poucos votos. E a 3 superou por pouco a cláusula de barreira, o que evitou que apenas a 1 colocasse nomes no Conselho.

O resultado da eleição foi o seguinte:

  • Chapa 1: 1.849 votos (60,36%)
  • Chapa 2: 286 votos (9,33%)
  • Chapa 3: 928 votos (30,29%)

Fonte: página oficial do Grêmio.

A polêmica do Coelho

Ao contrário do que gostam de apregoar os comentaristas e torcedores do eixo Rio – São Paulo (e ecos de tais bobagens podem ser ouvidos do Milton Corrêa ao Estrela D’Alva), futebol não é arte. É, sim, um esporte, que muito se diferencia da arte, por diversas características próprias.

O trecho acima é da postagem do Kleiton, lá no Cataclisma 14, sobre a polêmica suspensão do lateral Coelho, do Atlético-MG, devido à falta dura (não agressão) em cima do “foca” Kerlon, do Cruzeiro.

Se o Coelho não tivesse feito aquela falta no Kerlon, o que aconteceria? O que os defensores do “futebol-arte” queriam? Que a zaga atleticana deixasse o jogador – do arqui-inimigo – entrar área adentro e marcar o gol?

Como tirar a bola do Kerlon? Cabeceando-a? Aí o risco é de errar a bola, acertar a cabeça do adversário e ele cair desmaiado – ou seja, muito mais perigoso do que uma trombada como a que o Coelho deu no Kerlon!

Vão dizer que eu gosto de “futebol feio”, que não admiro belas jogadas. Pelo contrário. Mas o que vale no futebol não é lance bonito, é bola na rede. De nada adianta driblar, driblar, driblar, e ficar só nisso. A Marta ontem fez uma jogada espetacular (aliás, espetacular é a seleção feminina de futebol do Brasil) contra os Estados Unidos, e marcou o gol, ou seja, foi um lindo lance que beneficiou a todo o time. Futebol é esporte coletivo, não serve para individualistas.

Além disso, ninguém gosta de ser humilhado. Ainda mais pelo arqui-inimigo. Pense bem: o Cruzeiro vencia o jogo, e o Kerlon decidiu “focar”; ele faria aquilo se o Atlético estivesse à frente no placar?

O Coelho fez a única coisa possível para parar a jogada: falta. Ele não queria que seu time levasse gol. Quem gostaria de levar um gol?

Em tempo: quem quer ver arte, que não vá ao estádio, e sim a uma exposição!

Simbolismos

O poder simbólico como poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a ação sobre o mundo, portanto o mundo; poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário.¹

O trecho acima é do livro “O poder simbólico”, que comecei a ler há pouco. Trata-se de importantíssima obra do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), que ao longo de sua carreira buscou desvendar os mecanismos de dominação social. Dentre eles, encontra-se justamente o poder simbólico: aquilo que nos parece algo “natural”, quando na realidade, é um padrão imposto pelos grupos sociais dominantes.

Bom para pensar: o que realmente gostamos? Nossas necessidades são necessidades mesmo, ou são “necessidades inventadas”? O que é “bom para a saúde”, é mesmo? O que se considera belo hoje não é um padrão criado em um certo momento da História?

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¹ BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p. 14.

O que 13 anos fazem…

fim-do-torneio.jpg

A foto acima (clique para ampliar), foi tirada logo após a cerimônia de premiação do Torneio Farroupilha de 1994.

O mais magro da foto, por incrível que pareça hoje, era eu (e ainda tinha cabelo!). Mais a esquerda na foto, está o Leonardo (vice-campeão daquele ano). À minha frente, está meu irmão Vinicius, de camisa do Inter. E de camisa do Grêmio (por isso foi campeão), o Diego.

A mesa de botão, segue exatamente igual. Passou por uma reforma, mas não mudou.

Para ver mais fotos, clique aqui e visite o blog do Torneio Farroupilha.

Em quem não devemos mais votar

Eu tinha lido há alguns dias, e ficado com o compromisso de escrever aqui sobre isso. Deputados de esquerda babaram ovo para a RBS.

Elogiaram justamente a empresa que fez de tudo para derrubar Olívio Dutra – um dos raros políticos verdadeiramente de esquerda no Brasil – do governo do Rio Grande do Sul, entre 1999 e 2002.

Bajularam a empresa que criminaliza os movimentos sociais, que na dúvida sempre se alinha à direita, como fez durante a ditadura militar de 1964-1985.

Até a Luciana Genro está nessa turminha. Ela que em 2003 teve a dignidade de não fazer minuto de silêncio pela morte do Roberto Marinho, em 2007 bajulou a RBS.

Eu votei no Beto Albuquerque em 2006. E mandei um e-mail para ele, cobrando explicações.

País que tem uma esquerda assim, nem precisa de direita!

Mas não pensem que não entendo “nossos representantes”.

Hoje em dia, quem não “se midiatiza”, não existe politicamente – pelo menos, para eleger-se a algum cargo. Tanto que uma das figuras mais importantes de uma campanha política chama-se “marqueteiro”. Candidatos não são simplesmente disputantes de uma eleição, são como “produtos à venda”. E muitas vezes, a propaganda é enganosa.

O problema, é que não adianta procurar o PROCON depois de “comprar” um político estragado.

Para ler mais:

Cão Uivador agora terá patrocinador

Deixei de ser um blogueiro independente. Fechei contrato de patrocínio com uma empresa de transportes.

Por que choveu tanto em Porto Alegre?

Resposta: porque o Marcel fez gol!

A charge abaixo (clique para ampliar), do Kayser, representa ele próprio assistindo ao jogo contra o Santos no Estádio Olímpico. Ele já estava surpreso de comer um pastel de queijo COM queijo, de tomar Bohemia no Monumental…

Por falar em centroavantes “sem faro de gol” e em chuva, lembrei de outro que não tinha jeito de colocar a bola na rede: Adriano Chuva, que passou pelo Grêmio em 2002. Aquele, nem com temporal fazia gol!

Mais dos “Cães Uivadores”

Os acessos ao “Cão Turco” (o do “Wordprexy”) são computados como se fossem ao blog no WordPress. Na verdade, não é um clone, e sim um “espelho” do Cão Uivador.

Inclusive aparece um clique no link para o manifesto dos hackers turcos – que eu não publiquei aqui, só aparece no endereço do “Wordprexy”.

Até já simpatizo com o negócio. Afinal, é uma maneira de driblar uma decisão arbitrária do governo da Turquia.

Só espero que não apareça anúncio pornô no “Cão Turco”…

Cães Uivadores

Recebi o link por e-mail do meu pai e fiquei pasmo: uma cópia perfeita do Cão Uivador!

É o seguinte: hackers turcos clonaram todos os blogs hospedados no WordPress, colocando-os em endereços “Wordprexy”. Alguns são “cópias perfeitas”, como o clone do Cão (http://caouivador.wordprexy.com), mas outros não. Alguns tem anúncios “adsense”, usados no Blogger e que o WordPress não permite. Pior de tudo: pornográficos…

No alto dos blogs “wordprexy”, há um link, “About Wordprexy”. Clicando nele… Não, não será instalado um vírus em sua máquina! É um manifesto dos hackers: os clones foram a maneira encontrada para driblar um bloqueio ao WordPress determinado pelo governo da Turquia. Até dizem que se mandarem um e-mail para eles, apagam o clone. Mas como não sei muito de inglês, e menos ainda de turco…

Via das dúvidas, fiquem atentos: Cão Uivador original não tem uma palavra em turco sequer! E nem anúncios (caso apareçam no clone turco).