Grande Murphy
Há tempos eu sou fiel seguidor de Murphy.
O descobrimento de sua Lei mudou minha vida. São vários “artigos”, mas pode-se dizer que ela se resume à frase: “se algo pode dar errado, dará”.
Certa vez, em um período de fossa, afoguei minhas mágoas num copo de cerveja. Meu amigo Diego (do blog Pensamentos do Mal) estava no bar para ouvir meus lamentos sobre um amor frustrado. Falei que “o amor é regido pela Lei de Murphy”: foi só eu começar a gostar dela, que ela começou a gostar de outro (dica: se você é mulher e procura namorado, me conquiste mesmo que eu não seja o seu tipo, que logo aparece outro cara para você!). O Diego gostou tanto da frase que pediu uma caneta emprestada ao garçom, para anotá-la no guardanapo. Ele jura que guarda até hoje aquele guardanapo.
O reconhecimento da força da Lei de Murphy fez com que eu nunca mais sofresse por amor. Pois cada paixonite é uma fossa em potencial. Toda vez que me livrei de paixões frustradas, entendi o significado da palavra “liberdade”. E aprendi a amar minha liberdade acima de tudo. Pois este amor não me deixa na fossa.
Mas eu não quero simplesmente falar de amor.
Em conversa com amigos ontem, eles achavam que era exagero eu comentar que o meu pai disse sentir “cheiro de 64″. Afinal, os tempos são outros: a Guerra Fria acabou, o Lula não é socialista, não há uma crise generalizada como em 1964, etc.
Pois bem: realmente parece exagero da minha parte escrever diversos textos “convocando à resistência”. Do mesmo modo que há dois anos atrás, quando escrevi um texto falando de liberdade, não estamos às vésperas de um golpe.
Mas, como disse o Celso Lungaretti, não devemos subestimar a extrema-direita. Conforme o penúltimo parágrafo do texto dele, Há uma lâmina suspensa sobre nossa democracia. Poderá jamais ser acionada. Mas, melhor do que rezarmos para que não aconteça o pior, é desarmarmos o quanto antes essa guilhotina.
E conforme eu escrevi há dois anos atrás: O problema é que qualquer movimento começa desse jeito: apenas uns ou outros apóiam, quase ninguém dá importância. Foi assim que surgiu o nazismo.
Assim como o fato de eu declarar amor incondicional à minha liberdade não impede que eu venha a me apaixonar (se será uma “guilhotina” só as conseqüências, felizes ou tristes, poderão dizer), o fato de poucos apoiarem um golpe não quer dizer que não haja a mínima chance dele acontecer. Não esqueçamos de Murphy.
Até porque eu também amo incondicionalmente a liberdade de expressão.
———-
Frase do dia: Se eu levasse um fora hoje e ele fosse noticiado, amanhã os jornais publicariam editoriais culpando o Lula.




Últimos comentários