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Archive for Julho, 2007

Grande Murphy

Há tempos eu sou fiel seguidor de Murphy.

O descobrimento de sua Lei mudou minha vida. São vários “artigos”, mas pode-se dizer que ela se resume à frase: “se algo pode dar errado, dará”.

Certa vez, em um período de fossa, afoguei minhas mágoas num copo de cerveja. Meu amigo Diego (do blog Pensamentos do Mal) estava no bar para ouvir meus lamentos sobre um amor frustrado. Falei que “o amor é regido pela Lei de Murphy”: foi só eu começar a gostar dela, que ela começou a gostar de outro (dica: se você é mulher e procura namorado, me conquiste mesmo que eu não seja o seu tipo, que logo aparece outro cara para você!). O Diego gostou tanto da frase que pediu uma caneta emprestada ao garçom, para anotá-la no guardanapo. Ele jura que guarda até hoje aquele guardanapo.

O reconhecimento da força da Lei de Murphy fez com que eu nunca mais sofresse por amor. Pois cada paixonite é uma fossa em potencial. Toda vez que me livrei de paixões frustradas, entendi o significado da palavra “liberdade”. E aprendi a amar minha liberdade acima de tudo. Pois este amor não me deixa na fossa.

Mas eu não quero simplesmente falar de amor.

Em conversa com amigos ontem, eles achavam que era exagero eu comentar que o meu pai disse sentir “cheiro de 64″. Afinal, os tempos são outros: a Guerra Fria acabou, o Lula não é socialista, não há uma crise generalizada como em 1964, etc.

Pois bem: realmente parece exagero da minha parte escrever diversos textos “convocando à resistência”. Do mesmo modo que há dois anos atrás, quando escrevi um texto falando de liberdade, não estamos às vésperas de um golpe.

Mas, como disse o Celso Lungaretti, não devemos subestimar a extrema-direita. Conforme o penúltimo parágrafo do texto dele, Há uma lâmina suspensa sobre nossa democracia. Poderá jamais ser acionada. Mas, melhor do que rezarmos para que não aconteça o pior, é desarmarmos o quanto antes essa guilhotina.

E conforme eu escrevi há dois anos atrás: O problema é que qualquer movimento começa desse jeito: apenas uns ou outros apóiam, quase ninguém dá importância. Foi assim que surgiu o nazismo.

Assim como o fato de eu declarar amor incondicional à minha liberdade não impede que eu venha a me apaixonar (se será uma “guilhotina” só as conseqüências, felizes ou tristes, poderão dizer), o fato de poucos apoiarem um golpe não quer dizer que não haja a mínima chance dele acontecer. Não esqueçamos de Murphy.

Até porque eu também amo incondicionalmente a liberdade de expressão.

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Frase do dia: Se eu levasse um fora hoje e ele fosse noticiado, amanhã os jornais publicariam editoriais culpando o Lula.

A culpa é dele!

Anda muito fácil se livrar de qualquer sentimento de culpa atualmente. É só pôr a culpa no Lula.

Isso começou ainda em 1999, aqui no Rio Grande do Sul, durante o governo Olívio Dutra. Qualquer coisa que acontecesse, era culpa do Olívio. O Grêmio perdeu, a culpa era do Olívio. Derrotas do Inter também eram culpa do Olívio. Aliás, o time vermelho por duas vezes esteve perto de ser rebaixado durante o governo Olívio. Coincidência?

O Juventude fez bonito e ganhou a Copa do Brasil em 1999, mas no segundo semestre daquele ano foi rebaixado. Culpa do Olívio. Por sorte, o presidente do Brasil era o Fernando Henrique, e em 2000 foi feita uma das maiores viradas de mesa e assim o Juventude foi mantido na Série A.

A saída do Ronaldinho do Grêmio? Culpa do Olívio. E a eleição do Obino também: ele assumiu só em 2003 (quando a culpa passava a ser do Lula), mas foi eleito (por aclamação!) em 2002. Culpa do Olívio.

No momento em que os aviões explodiram nas torres gêmeas em 2001, eu já sabia quem era o culpado: Olívio!

Eu também fui vítima do Olívio. Terminei o segundo grau em 1999. No último bimestre, já passado em Matemática e de saco cheio, não dei mais bola para a matéria e tirei 3, minha pior nota até então. Culpa do Olívio. Naquele mesmo ano, tinha que escolher um curso para o vestibular. Eu sempre ia bem em Física, então optei por fazer vestibular para Física. Culpa do Olívio, é claro.

Passei e entrei no curso de Física da UFRGS, mas o primeiro semestre foi um desastre. Obviamente culpa do Olívio. No segundo, rodei por faltas em uma cadeira na qual me perdi completamente após perder uma aula: eu fazia auto-escola e meu exame de direção foi marcado para o mesmo horário da aula – ou seja, a culpa era do Olívio. Ah, e eu rodei no exame: dupla culpa do Olívio! Um mês depois eu passei muito bem e consegui minha carteira de motorista. Apesar do Olívio.

Em 2002 entrei em crise por causa da faculdade, sentia que estava no lugar errado. Adivinhe de quem era a culpa…

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Sem o Olívio, já que ele saiu do governo do Estado em 1º de janeiro de 2003, em quem eu poderia pôr a culpa pelos meus problemas? Ora, que pergunta estúpida! Demorei a perceber que eu tinha o Lula para culpar…

Passei no vestibular (e muito bem!) para História em 2004, apesar do Lula. Mas o primeiro semestre foi complicado. Não foi um desastre como o primeiro da Física, mas teve direito a reprovação em uma cadeira e, em outra, uma nota vergonhosa em prova que fiz no dia seguinte à final da Eurocopa entre Portugal e Grécia – ao invés de lembrar do Período Neolítico, só me vinham à cabeça portugueses, gregos, troianos, Felipão e Nikopolidis, nomes que eu havia estudado tanto. Culpa do Lula, é claro.

No segundo semestre, rodei em outra cadeira. Culpa do Lula.

De 2005 em diante não rodei em mais nada, e melhorei bastante minhas notas, a ponto de conseguir conceitos “A” na maioria das cadeiras, apesar do Lula. Mas outros problemas surgiram, como não saber definir um tema de pesquisa. Culpa do Lula.

E tem mais.

Os porres que tomei? Óbvio que a culpa é do Lula.

Os foras que levei? Todos culpa do Lula.

Os atentados em Madri e em Londres? Culpa do Lula.

Aquecimento global? Culpa do Lula!

As seguidas secas aqui no Rio Grande? Ora, ora… Tudo por que o presidente é o Lula!

O enjôo que senti ao tomar vinho logo depois de comer meia lata de leite condensado? Culpa do Lula.

O Grêmio foi rebaixado em 2004 e perdeu a Libertadores em 2007 por culpa do Lula.

E a derrota da Seleção na Copa de 2006 também é culpa do Lula! Que vergonha, culparem um técnico sensacional como o Parreira!

Ah, e o Juventude está mal das pernas no Brasileirão, adivinhe por culpa de quem…

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Confesso que estou preocupado com esse tal movimento “Cansei”. Tem gente dizendo que vem golpe por aí.

Tomara que não. Imagina se derrubam o Lula? Sem ele e sem o Olívio, quem eu culparei por qualquer coisa?

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Atualização: Xingaram o Galvão Bueno na decisão do basquete masculino do Pan. Já sei quem mandou os torcedores fazerem isso.

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Batalha dos Aflitos

Ao invés de falar de política, decidi descontrair um pouco e falar de futebol. Na última quarta-feira, os torcedores do Náutico queriam revanche da Batalha dos Aflitos. Aquela derrota ficou engasgada na garganta dos torcedores alvi-rubros. Era a grande chance deles se vingarem do Grêmio.

Mas a revanche ficou para outra hora… Mesmo sem jogar bem, o Grêmio venceu novamente no Estádio dos Aflitos, 2 a 0. E novamente algo inacreditável aconteceu: gol do Tuta!

Abaixo, uma ótima charge do Kayser sobre o jogo.

Já está marcada a nova "Marcha da Família com Deus pela Liberdade"…

Mas claro que não exatamente com este nome.

Só digo que ela acontecerá já no próximo mês. Agosto.

Para quem acredita em superstições (eu não acredito desde 20 de junho, quando o Grêmio perdeu a Libertadores que os números diziam que já era dele), mais um motivo para preocupação: assim como em 2007, em 1963 teve Jogos Pan-Americanos no Brasil.

O novo IBAD já foi lançado. O próximo passo é a Marcha.

Tem gente que sente saudade dos tempos em que matérias de jornais eram abruptamente interr

Pudim de amêndoas

Ingredientes: 500g de açúcar, 500g de amêndoas moídas; 2 colheres de manteiga; 2 colheres de farinha de trigo; uma pitada de sal; 10 ovos.

Modo de fazer: Faça a calda em ponto de pasta, acrescente-lhe os outros ingredientes e misture bem. Ponha em fôrma untada com açúcar queimado. Cozinhe em banho-maria.

A noite em que tive a certeza do título da Libertadores de 1995

Em 26 de julho de 1995, o Grêmio alcançou uma de suas vitórias mais incríveis. Antes da bola rolar, uma goleada de 5 a 0 jamais passou pela cabeça de dirigentes, comissão técnica, jogadores e torcedores. Ainda mais sobre o Palmeiras, que na época tinha um timaço. Em seu estrelado elenco, contava com nomes como Cafu, Roberto Carlos e Rivaldo. O Grêmio queria fazer 2 a 0 no Olímpico para depois garantir a classificação em São Paulo.

Antes do Grêmio marcar os gols, a partida foi disputadíssima, e com muitos lances ríspidos. A violência empregada por ambas as equipes tornava evidente que a qualquer momento ia dar briga. Afinal, o Palmeiras ainda não havia esquecido a eliminação da Copa do Brasil pelo mesmo Grêmio em pleno Parque Antártica, três meses antes, num jogo que também teve confusão, além de muita dramaticidade.

O primeiro alvi-verde expulso foi Rivaldo: após uma entrada dura de Rivarola, o craque palmeirense deu-lhe um pisão e levou o vermelho. Alguns minutos depois, o gremista Dinho e o palmeirense Válber trocaram socos e também foram expulsos. Parecia o fim da confusão, mas na verdade apenas estava começando…

A televisão logo tirou o foco do jogo e passou a filmar a parte do gramado atrás da goleira à direita do vídeo: os dois jogadores partiram um em direção ao outro, ninguém conseguia segurá-los. A primeira porrada foi de Dinho, que se jogou de voadora para cima de Válber, fazendo a torcida gremista vibrar como se fosse gol. Danrlei deu um soco em Válber pelas costas, o que lhe rendeu a suspensão para a partida de volta em São Paulo – além dos que haviam sido expulsos. Logo, todo mundo estava atrás da goleira, trocando sopapos. Após o jogo, Dinho e Válber foram prestar esclarecimentos numa delegacia de polícia.

Após 14 minutos de paralisação, o jogo recomeçou. E o Grêmio desandou a marcar gols. O primeiro foi de Arce, que soltou uma bomba da intermediária, após a defesa palmeirense rebater um escanteio. O segundo gol foi de Arílson: a bola chutada por ele desviou no volante argentino Mancuso e encobriu o goleiro palmeirense Sérgio. O primeiro tempo terminou 2 a 0 para o Grêmio. Já estava ótimo, tudo conforme os planos tricolores.

Mas o Grêmio não quis parar por aí. No início do segundo tempo, Jardel fez algo raro: um gol com o pé, já que em geral ele marcava gols apenas com a cabeça, pois era ruim com a bola no pé. O quarto gol gremista foi novamente de Jardel, e foi típico dele: de cabeça. E no quinto gol, Jardel deu duas cabeçadas: a primeira foi defendida por Sérgio, mas o artilheiro tricolor aproveitou o rebote do goleiro e cabeceou novamente a bola. 5 a 0!

Assisti a essa partida longe de Porto Alegre: estava passando as férias de inverno na casa da minha tia Zita, em São João do Polêsine. No intervalo, fui até um bar, onde meu tio João assistia o jogo. Na hora ele comentou: “quando a briga começou, comecei a torcer que o Dinho acabasse com aquele cara!”.

Com os 5 a 0, os gremistas já pensavam no adversário da semifinal da Libertadores. Eu já tinha certeza não só da classificação, mas também de que o título seria do Grêmio. A partida de volta contra o Palmeiras seria mera formalidade.

Uma semana depois, aprendi que “o jogo só termina depois que o juiz apita”.

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Dez anos depois (eu disse dez anos), o Dinho encontrou o Válber numa boate de Porto Alegre, e quase houve briga novamente. Aquela noite de 26 de julho de 1995, ao menos para os dois, jamais vai acabar.

Quem vaia, ouve…

8 de julho de 1990, grande final da Copa do Mundo. A Alemanha conquistou seu terceiro título ao vencer por 1 a 0 (gol de Brehme, marcado de pênalti) a Argentina, que na semifinal havia eliminado nos pênaltis a anfitriã Itália.

A maior parte do público presente ao Estádio Olímpico de Roma torcia pela Alemanha: os próprios alemães, e os italianos que desejavam ver a Argentina derrotada. Durante a execução do hino nacional argentino, uma forte vaia se fez presente, e Maradona, ao ver a câmera de televisão passar, não pensou duas vezes e desabafou…

O novo milagre dos Aflitos

INACREDITÁVEL! O Tuta fez gol!

Olha o novo IBAD aí!

Empresários e OAB lançaram o “Movimento Cívico pelos Direitos dos Brasileiros”, com bordões do tipo “cansei de corrupção” e “cansei do apagão aéreo”, o que levou o movimento a ser conhecido informalmente como “Cansei”. Leia mais aqui.

Não tive como não pensar no IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática. Tal entidade, que só tinha democracia no nome, foi uma das principais articuladoras do golpe militar de 1964.

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E você, como vai viajar?

Muitos estão deixando de viajar de avião por causa dos atrasos nos vôos e agora por medo, depois do acidente de terça-feira passada. Mas trocar o ar pela estrada pode não ser uma boa opção: as rodovias continuam matando mais gente do que os aviões. Para ler mais, clique aqui.

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Mas que bonito, "civilizados"! *

É muito interessante ouvir as idéias defendidas por pessoas que se julgam defensoras da “civilização”. Afirmando que os criminosos representam a “barbárie” – por que eles matam, estupram, roubam etc. –, os ditos “civilizados” defendem que seja adotada uma solução “bárbara”: a pena de morte no Brasil.

Não consigo conter a indignação, e até mesmo a raiva, diante de gente assim. Consideram-se superiores, mas se mostram tão “malvados” quanto os que desejam ver mortos. Pois diante de um crime violento, vão na onda da nossa mídia sedenta de sangue (pois criminalidade vende jornal) e clamam pela “justiça” das elites: matar os pobres, antes que eles se revoltem após mais de 500 anos de injustiça social nesse país.

Até hoje não aconteceu uma grande convulsão social no Brasil, mas do jeito que as coisas andam, com as elites se encastelando cada vez mais em seus condomínios de luxo e carros blindados, talvez não demore muito. O Estado não controla mais os morros no Rio, os presídios (sob comando de PCCs e Comandos Vermelhos da vida), e não dá assistência digna a ponto de fazer os mais pobres terem um sentimento de cidadania. Os ricos não querem “abrir mão dos anéis”, e assim correm o risco de “perderem as mãos”. E também falta vontade de se mudar esse país, por parte de todos nós.

E é justamente para continuarmos na mesma, que alguns “formadores de opinião” defendem a pena de morte. Que simplesmente se matem os “bandidos”, e o país continue sua caminhada rumo ao abismo. Para defender a “civilização” branca dos “bárbaros” que têm a pele mais escura. Afinal, o Bush fez exatamente isso, ao invadir Afeganistão e Iraque para “civilizar” os dois países. É só acompanhar o noticiário: não está um paraíso o Iraque ocupado pelas tropas dos Estados Unidos?

Não existe justiça no Brasil. Quem serão os mortos pela pena capital? Ora, a resposta é muito fácil: os excluídos pela nossa sociedade, ou seja, brancos pobres, negros, indígenas e mestiços. Ou alguém acha que serão executados deputados corruptos ou riquinhos como a Suzane von Richtofen? Se a pena de morte se destinasse aos maus políticos, eu seria um pouco menos antipático em relação a ela.

É preciso investir muito em educação nesse país. Que se cortem todas aquelas regalias aos políticos, de maneira a sobrar dinheiro para construir escolas, e assim evitar que se gerem novos criminosos. De nada adianta matar “bandidos”, e nada se fazer para impedir o surgimento de outros.

Mas é claro que também é preciso tornar mais rígidas as leis no Brasil. As penas aplicadas e as regalias existentes nos presídios são um estímulo à criminalidade. Quem é condenado a 30 anos de prisão tem que ficar 30 anos preso (a não ser que se prove sua inocência), nem um dia a mais, nem um dia a menos. Aliás, eis um problema da pena de morte: se condena uma pessoa à morte, ela é executada, e depois de dois anos se descobre que ela era inocente. E aí, o que fazer?

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* Texto publicado originalmente no último dia 30 de abril, no meu antigo blog. Naquele dia eu também havia brigado por causa da pena de morte. E por mais que tentem, não me convencerão a apoiá-la. E não adianta chegarem com aquele papo de “e se matassem um parente teu, tu não iria desejar a morte do bandido?”: certamente desejaria, mas eu sou uma pessoa que tem suas emoções, e o Estado deve ser racional, jamais emocional. Além disso, um Estado que tiver o direito de matar (atualmente não o tem, apesar de fazê-lo muitas vezes) não terá moral nenhuma para dizer aos cidadãos que eles não podem matar ninguém.