Até onde vamos?
Ontem seria o fim do sonho, sonhavam (literalmente) os colorados. Depois do Grêmio ter revertido tantos resultados negativos nas últimas semanas, a “sorte” acabaria diante do Defensor.
Pobres colorados… Não conhecem a gloriosa história do Grêmio. Afinal, ela é marcada justamente pela superação de grandes dificuldades. Muitas delas justamente contra “eles”, como o Campeonato Farroupilha de 1935 e a decisão do Campeonato Gaúcho de 2006, que muitos já consideravam ganha pelos “diamantes” deles.
Atualmente, o Grêmio vive uma fase incrível. E não me refiro simplesmente às vitórias recentes contra Caxias, Cerro Porteño, São Paulo e Defensor (última vítima do Imortal Tricolor). Tudo isso vem desde 2005 – e não começou com a Batalha dos Aflitos.
No início de 2005, o Grêmio vivia a pior fase de sua história. Não tinha um centavo nos cofres, devia para todo mundo, e ainda por cima estava na Segunda Divisão. O time que disputou o Campeonato Gaúcho daquele ano era tão ruim que se fosse mantido para a disputa da Série B, correria o risco de cair para a C. A remontagem do grupo foi feita ao longo do campeonato, e aos poucos surgiu um time ruim, mas que era suficiente para sair da Segundona. E mesmo assim não foi fácil: a Batalha dos Aflitos é a prova.
De volta para a Série A. Em 2006, o Grêmio seguiu superando os adversários aparentemente insuperáveis. Primeiro, na decisão do Campeonato Gaúcho, contra os eternos rivais, favoritos ao título com seus “diamantes” e sua arrogância. Foram dois empates, 0 a 0 no Olímpico e 1 a 1 no campo deles, que deram o título ao Tricolor. O regulamento ajudou o Grêmio, dizem, pois eles tinham a melhor campanha e não foram campeões. Então por que aceitaram jogar o campeonato deste jeito?
No Campeonato Brasileiro, o máximo que o Grêmio almejaria seria uma vaga na Copa Sul-Americana de 2007 – e se ficasse na Série A já poderia comemorar. Mas tudo foi diferente – e melhor. A vaga conquistada foi na Libertadores. E não bastasse isso, o Grêmio chegou a brigar pelo título.
E em 2007, o Grêmio apenas manteve a rotina de superações. Precisava fazer 4 a 0 no Caxias para ir à final do Campeonato Gaúcho, e fez 4 a 0. Precisava vencer o Cerro Porteño para se classificar na Libertadores, e venceu. Nas oitavas-de-final, precisava ganhar de 2 a 0 do São Paulo, e ganhou de 2 a 0. E ontem à noite, precisava de 3 a 0 para passar pelo Defensor e ir às semifinais. Ganhou de 2 a 0, placar que levava a decisão da vaga aos pênaltis. E mais uma vez, o Grêmio se classificou.
Um detalhe: todas estas vitórias foram obtidas no Olímpico. Se fora de casa o Grêmio não anda bem, em seu estádio as coisas são bem diferentes. Pois o Grêmio tem uma torcida fantástica, da qual me orgulho de fazer parte. Fomos nós que tiramos o Grêmio do atoleiro em que se encontrava há dois anos atrás, e o colocamos na semifinal da Libertadores.
E depois de tudo o que vi ultimamente, cheguei à conclusão de que temos tudo para levar o Grêmio ao Japão novamente. O Santos tem um bom time e um excelente treinador, e por isso merece todo o respeito. E por isso mesmo temos de transformar o Olímpico em um caldeirão na próxima quarta-feira. Já chegamos bem longe, mas ainda não está na hora de parar.



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